| Depois de ter definido a Alergia
Comportamental em post de 01/03, hoje vou inventar mais um termo
científico para discriminar um comportamento bastante curioso, na esperança
de prestar um valioso serviço a... mim mesmo. Gerald Thomas. Pensem na
figura. Vou usa-lo como exemplo porque o nominho dele (mr. Thomas) aparece
ali na página do UOL quando a gente vai blogar, na lista dos
blogs famosos. Mas não é
nada pessoal, caso ele (hahaha) ou algum amigo dele leia isso aqui um dia...
Gerald Thomas é o que eu chamo de inteligente depressivo. Na parte
do inteligente, posso estar sendo leviano (afinal, não conheço sua obra,
conheço-o apenas de entrevistas e aparições "à paisana"), mas no depressivo,
não. Ele parece inteligente porque "fala difícil", tem aquele ar de
quem não perde tempo com bobagem e está sempre criticando pessoas ou
situações que faz parecerem menos inteligentes do que ele. É isso o tal do
patronizing que os americanos tanto falam e que é tão difícil
traduzir para o português, né? Eu traduzo "I patronize" livremente como "sou
elegantemente arrogante enquanto tento te humilhar discretamente com minha
superioridade autoproclamada".
E depressivo. Meu Deus, ele deve saber algo que o resto do mundo não sabe,
algo tão terrível, algo tão deprimente, que a simples ciência desse algo o
impedirá de ser feliz, ou no mínimo simpático, pro resto de sua vida.
Coitado! Ele é chato! Não é que seus comentários sejam sempre sarcásticos ou
irônicos não, é diferente! Ele é triste. Irritado. Incomodado. E quando
alguém não é, quando alguém sonha, ele joga sua depressão na cara das
pessoas para que elas parem imediatamente de ser felizes ou sonhar. É quase
um "você é feliz por quê? É burro ou louco?"
Mas ele é só um exemplo do que eu quero falar aqui. Quem de vocês não
conhece alguém assim, queridos leitores? Alguém que te faz pensar: "se pra
ser inteligente, eu vou ficar azedo assim, prefiro não saber muita coisa."
Não estou falando dos que são mau-humorados e se orgulham de seu mau-humor.
É diferente. Esses são simpáticos pelo avesso, até divertidos, porque no
fundo, estão rindo de si mesmos, o que é uma capacidade invejável no ser
humano. Também não estou fazendo apologia aos bobos-alegres, que esses, putz,
irritam. Conteúdo é necessário.
Eu, na simplicidade com que me forço a enxergar a vida, bolei uma
regrinha que, sem querer, já define as pessoas com quem em geral tenho
afinidade. Em geral, acaba virando meu amigo e ganha minha admiração quem,
no mínimo, quer ser inteligente e feliz ou, caso já os seja, gosta de sê-los.
Certamente quem está lendo esse blog e me conhece, real ou virtualmente,
possui essas qualidades, pois esse é um blog freqüentado por amigos. Torço
para que saibamos (eu e meus amigos) evitar contaminação pelos
inteligentes depressivos que conhecemos.
Depressão não é chique. Depressão é doença! Depressão não é algo que se
busque. Felicidade é. Se não por nós, pelo menos pelos que nos cercam.
E algo me diz que quem é inteligente e feliz é um pouco mais inteligente
do que quem é inteligente mas não é feliz. Concordam? |