| Eu
desconfiava:
todas as histórias em quadrinho são iguais.
Todos os filmes norte-americanos são iguais.
Todos os filmes de todos países são iguais.
Todos os best-sellers são iguais.
Todos os campeonatos nacionais e
internacionais de futebol são iguais.
Todas as mulheres que andam na moda são iguais.
Todos os partidos políticos são iguais.
Todas as experiências de sexo são iguais.
Todos os sonetos, gazéis, virelais, sextinas e
rondós são iguais
e todos, todos
os poemas em verso livre são enfadonhamente
iguais.
Todas as guerras do mundo são iguais.
Todos os amores iguais, iguais, iguais.
Iguais todos os rompimentos.
A morte é igualíssima.
Todas as criações da natureza são iguais.
Todas as ações cruéis, piedosas ou
indiferentes, são iguais.
Contudo, o homem não é igual a nenhum
outro homem, bicho ou coisa.
Ninguém é igual a ninguém.
Todo ser humano é um estranho
ímpar.
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